

VII Festival Internacional da Canção – FIC/TV Globo
Fio Maravilha - Maria Alcina / Diálogo - Baden Powell Em um coquetel realizado no Hotel Nacional, foram anunciadas mudanças na tentativa de recuperar a boa imagem do FIC. Para a sétima edição, Solano Ribeiro, responsável pelos grandes festivais da Record na década de 1960, foi especialmente contratado. A fase nacional mais uma vez seria composta por duas eliminatórias, com 15 concorrentes em cada. A final selecionaria duas concorrentes, entre 12, que disputariam a final internacional com outros 12 participantes.
Uma comissão foi destacada para selecionar as concorrentes entres as 1.912 inscritas. Solano prometia novos nomes para o festival com o intuito de promover uma renovação na música brasileira. Entre os concorrentes, um elenco promissor de novos nomes como o diretor de teatro Fauzi Arap com “Carangola ou Navalha na Carne” cantada por Marlene, Hermeto Paschoal, com “Serearei”, defendida por Alaíde Costa, os dois parceiros cearenses Antônio Carlos Belchior e José Ednardo Costa Souza, com “Bip... Bip”, e o jovem, de apenas16 anos, Oswaldo Montenegro.
“Viva Zapátria”, dos mineiros Sirlan e Murilo já era muito comentada mesmo antes da eliminatória. Já o produtor baiano Raul Seixas, assumia sua carreira de compositor com duas concorrentes “Let Me Sing, Let Me Sing” e “Eu Sou Eu, Nicuri É o Diabo”. Estreavam ainda, Raimundo Fagner, com “Quatro Graus”, uma das favoritas durante os ensaios, os pernambucanos Alceu Valença e Geraldo Azevedo (“Papagaio do Futuro”), além da cantora, taxada de fenômeno, Maria Alcina.
O júri, presidido por Nara Leão, só foi anunciado na véspera da primeira eliminatória. Já o júri popular foi escolhido entre personalidades da época. Foram apresentadas 15 canções na primeira noite e, ao final, classificaram-se seis concorrentes: “Serearei” (Hermeto Paschoal), o samba “Nó na Cama” (Ari do Cavaco e César Augusto), “Eu Sou Eu, Nicuri É o Diabo” (Raul Seixas) interpretado por ele mesmo, a teatral “Cabeça”, vaiada violentamente pelo público despreparado para a linguagem poética densa, o samba “Diálogo” (Baden Powell e Paulo César Pinheiro), e “Fio Maravilha” (Jorge Ben Jor), com Maria Alcina, considerada mesmo antes da eliminatória uma das favoritas do grupo.
No dia seguinte, a segunda eliminatória explodiu de entusiasmo quando Raul Seixas, imitando Elvis Presley apresentou “Let Me Sing, Let Me Sing”, vestido a caráter. Depois de um show de Gal Costa, foram anunciadas as seis canções classificadas: “Let Me Sing, Let Me Sing” (Edith Wisner e Raul Seixas), “Flor Lilás” (Luli) com a dupla Luli e Lucina, “A Volta do Ponteiro (Roberto L. da Silva e Roberto F. dos Santos) com os Originais do Samba, “Viva Zapátria” (Sirlan e Murilo), “Mande um Abraço pra Velha” (Os Mutantes) e “Carangola” (Fototi e Fauzi Arap). Ao final, o júri também decidiu incluir “Liberdade, Liberdade” (Oscar Torales), e “Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua” uma das preferidas de Nara Leão.
Antes da final nacional, Solano Ribeiro, diretor do evento e responsável pela fase nacional, foi comunicado que os militares exigiam que Nara Leão fosse afastada do júri. O problema aconteceu porque eles não gostaram das declarações dadas por Nara em uma entrevista ao Jornal do Brasil sobre a verdadeira situação do país. Tentando evitar um constrangimento maior, Solano decidiu então destituir todo o júri de brasileiros e substituí-lo por um de estrangeiros. Muito se especulou a respeito dos reais motivos dessa retaliação, acreditava-se que a tendência de alguns integrantes do júri a elegerem “Cabeça” atrapalharia os planos da TV Globo para Maria Alcina, que dizia-se, já estava contratada pela emissora.
Para os gringos, as músicas seriam traduzidas e adaptadas. Entretanto, as traduções prejudicaram bastante o sentido de várias canções. “Eu Quero É Botar Meu Bloco Na Rua” virou “I Want To Put My Block In The Street”, o que foi compreendido pelos estrangeiros como “eu quero colocar meu enorme pedaço de pedra na rua”. Revoltados, os jurados brasileiros redigiram um comunicado para ser distribuído à imprensa.
Hermeto Paschoal seria o primeiro a se apresentar na final. Mas com medo que desacatasse a determinação da Censura de não incluir animais na apresentação (a proposta de Hermeto era utilizar os sons de galinhas e porcos em sua performance), os microfones foram desligados quando ele subiu ao palco. Dessa forma, foi anunciado que ele voltaria no final da noite para sua apresentação. Som milagrosamente normalizado para a segunda concorrente, o samba “Nó na Cama” com Mirna e Élson. A essa altura, o júri tentava decifrar o significado da letra.
Raul Seixas e os Lobos foram recebidos com muitos aplausos e uma faixa erguida na arquibancada com o nome de sua canção “Eu Sou Eu, Nicuri É o Diabo”. Mais aplausos para “Fio Maravilha” interpretada por uma Maria Alcina vestida de odalisca. Para “Cabeça”, outra grande vaia. A nona concorrente foi “Let Me Sing”, causando empatia com os jurados e o público. A seguir “Diálogo” e a barroca “Viva Zapátria”. A penúltima canção apresentada foi “Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua” com Sérgio Sampaio. Na sequência “Carangola”, a mais vaiada da noite e a segunda tentativa de apresentação de “Serearei”. Mais uma vez, o microfone foi desligado antes que a cantora Alaíde conseguisse explicar o que acontecia nos bastidores e apresentação foi cancelada.
Deixando a situação ainda mais tensa, Roberto Freire, um dos ex-integrantes do júri nacional subiu ao palco para ler um manifesto, mas foi violentamente arrastado pelos seguranças da TV Globo e espancado por policiais que estavam no local. Ao ver o amigo, Nara Leão ameaça invadir o palco caso a organização do evento não leia o comunicado. Após serem retiradas as sentenças que expunham a TV Globo, finalmente Murilo Neri lê o manifesto:
“Os integrantes do júri da fase nacional do VII Festival Internacional da Canção, cumprindo sua finalidade de apontar as duas composições musicais que representarão o Brasil na final internacional, decidiram indicar as seguintes concorrentes: ‘Cabeça’, de Walter Franco, e ‘Nó na Cana’, de Ari do Cavaco e César Augusto. Ao tempo que divulgam essa decisão, os membros do júri manifestam sua estranheza ante a decisão do Festival, destituindo-os sem qualquer explicação. Consideram ainda essa destituição um ato arbitrário e altamente suspeito.
Rio de Janeiro, 30 de setembro de 1972.
Nara Leão – presidente – Rogério Duprat, Décio Pignatari,Alberto C. N. de Carvalho, Léa Maria, Sérgio Cabral, Guilherme Araújo, João Carlos Martins, Walter Silva, Roberto Freire, Mário Luiz e Big Boy.”
Na arquibancada policiais coagiam o público, enquanto nos bastidores repórteres eram ameaçados. Nesse ambiente foram anunciadas as duas vencedoras que disputariam a final internacional: “Diálogo” e “Fio Maravilha”.
Final
Para a final internacional, os jurados solicitaram que os participantes “não usassem recursos extra musicais, não dançassem nem rebolassem em suas apresentações”. Eram 14 canções de dez países. A italiana “Aeternum” foi a escolhida pelo júri popular e o americano David Clayton Thomas foi o grande vencedor com “Nobody Calls Me a Prophet”.
Pressionado pela TV Globo, o júri, que não deu a vitória a “Fio Maravilha” como esperava-se, precisou criar uma menção honrosa para a canção. Além de Maria Alcina, Raul Seixas foi outra grande revelação desse festival.
Repleto de escândalos, como a agressão de um empresário americano a um dos técnicos de som do festival ou as prisões do representante de Israel , de Rogério Duprat, Alaíde Costa e Walter Franco, o VII FIC foi alvo de toda sorte de críticas da imprensa.
Nos quase trinta anos subseqüentes foram realizados festivais esparsos. A Era dos Festivais chegava a seu fim.
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Fio Maravilha
(Jorge Ben Jor)
Intérprete: Maria Alcina
Foi um gol de anjo um verdadeiro gol de placa
Que a galera agradecida assim cantava
Foi um gol de anjo um verdadeiro gol de placa
Que a galera agradecida assim cantava
Fio maravilha,
Nós gostamos de você
Fio maravilha,
Faz mais um pra gente ver
E novamente ele chegou
Com inspiração
Com muito amor, com emoção, com explosão em gol
Sacudindo a torcida aos 33 minutos
Do segundo tempo
Depois de fazer uma jogada celestial em gol
Tabelou, driblou dois zagueiros
Deu um toque driblou o goleiro
Só não entrou com bola e tudo
Porque teve humildade em gol
Foi um gol de classe onde ele mostrou
Sua malícia e sua raça
Foi um gol de anjo um verdadeiro gol de placa
Que a magnetica agradecida assim cantava
Fio maravilha,
Nós gostamos de você
Fio maravilha,
Faz mais um pra gente ver
Fio Maravilha
(Jorge Ben Jor)
Intérprete: Maria Alcina
Foi um gol de anjo um verdadeiro gol de placa
Que a galera agradecida assim cantava
Foi um gol de anjo um verdadeiro gol de placa
Que a galera agradecida assim cantava
Fio maravilha,
Nós gostamos de você
Fio maravilha,
Faz mais um pra gente ver
E novamente ele chegou
Com inspiração
Com muito amor, com emoção, com explosão em gol
Sacudindo a torcida aos 33 minutos
Do segundo tempo
Depois de fazer uma jogada celestial em gol
Tabelou, driblou dois zagueiros
Deu um toque driblou o goleiro
Só não entrou com bola e tudo
Porque teve humildade em gol
Foi um gol de classe onde ele mostrou
Sua malícia e sua raça
Foi um gol de anjo um verdadeiro gol de placa
Que a magnetica agradecida assim cantava
Fio maravilha,
Nós gostamos de você
Fio maravilha,
Faz mais um pra gente ver
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