

II Festival da TV Excelsior
Porta-Estandarte – Geraldo Vandré
O segundo Festival da TV Excelsior manteve o patrocínio da Rhodia, representada por Livio Rangan, o que levou ao pedido de demissão de Solano Ribeiro. Essa iniciativa acabou favorecendo a relação entre Rhodia e Excelsior. Roberto Palmari, cineasta e amigo de Livio foi designado como novo diretor do festival.
Os grandes nomes da música revelados em 1965 e 1966, como Elis Regina, Jair Rodrigues, Chico Buarque, Roberto Carlos, Elizeth Cardoso, Edu Lobo e Wilson Simonal, estavam sendo contratados com exclusividade pela TV Record para abastecer seus programas. Entretanto, esses artistas eram indispensáveis para cantar as músicas inscritas no II Festival da TV Excelsior. Essa realidade fez com que a direção do festival se dedicasse a revelar novos intérpretes para a música popular brasileira.
Dessa vez, as eliminatórias seriam em cidades diferentes: Guarujá (29 de abril), Porto Alegre (6 de maio), Recife (13 de maio), Ouro Preto (20 de maio) e Rio de Janeiro (27 de maio), sendo apresentadas 10 músicas em cada uma das etapas. Foram inscritas 2.770 canções.
A primeira eliminatória, realizada o Clube da Orla, não foi transmitida ao vivo, uma grande “mancada” do canal 9. Além das 10 músicas classificadas, houve um show com Elza Soares, Lennie Dale e o Bossa Três, bem ao estilo “show da Rhodia”. Entre os intérpretes, o destaque foi Clara Nunes, com “Canção do Amor Que Se Foi”. O júri classificou ainda “Motivos”, com o cantor de São Paulo Sílvio Aleixo e “Joga a Tristeza no Mar”, com Germano Batista.
Porto Alegre teve o privilégio de apresentar um cantor que faria história. O mineiro por adoção, de 23 anos, se candidatou quando leu no jornal uma oferta de vagas para intérpretes no festival. A canção “Cidade Vazia”, de Baden Powel e Lula Freire escolhida por ele acabou classificada sob aplausos dos gaúchos. Seu nome era Milton Nascimento. Outra “mineirinha” de 17 anos, Maria das Graças, que mais tarde trocaria seu nome para Cláudia, também empolgou o público com a interpretação de “Mensagem”. Em compensação, Silvinha foi mal recebida quando se anunciou que “Se A Gente Morresse de Amor” também estaria na final.
Por falta de energia, a eliminatória do Recife precisou ser transferida do Esporte Clube do Recife para o auditório da TV Jornal do Comércio. Nesta etapa classificaram-se: “Acalanto”, com Ivete e o piano de Pedrinho Mattar, “Inaê”, com Nilson e “Perdão”, com Maria Odete.
A quarta eliminatória do II Festival da Excelsior reuniu mais de 5 mil pessoas na praça Tiradentes, em Ouro Preto. Depois dos shows, o apresentador Kalil Filho anunciou as três finalistas: “Irremediavelmente” com Silvinha, “Canção Para um Maiô Azul com Bolinhas Brancas”, defendida por Jair Campos e “Porta Estandarte”, de Geraldo Vandré, muito aplaudida e incluída na lista das preferidas, interpretada por Tuca e Airto Moreira.
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| Tuca e Airto Moreira, intérpretes de Porta Estandarte, de Geraldo Vandré Fotos retiradas de marciadistasio.com |
A última eliminatória foi realizada no auditório da TV Excelsior, em Ipanema. Para a surpresa dos que compareceram, após a apresentação das 10 concorrentes, Elis Regina, cedida pela Record, subiu ao palco para um show ao lado de Lennie e Geraldo Vandré. Foram anunciadas pelos jurados “Chora Céu”, mais uma de Cláudia, “Tic-Tac”, Doroti acompanhada por Pedrinho Mattar e “Boa Palavra”, com Maria Odete.
Das 15 finalistas, três cantoras tinham classificado duas músicas, o que gerou mais uma polêmica, forçando-as a optar por uma delas e ceder a outra para um novo intérprete. O júri também resolveu promover uma repescagem incluindo mais quatro músicas entre as 15 já selecionadas: “Comunhão”, com Edgar Pozer, “Fim de Tristeza”, com Doroti, “Prelúdio Para Um Amor Que Começou”, com Sônia Lemos e “Balança Roseira”, com Flora.
A finalíssima foi realizada no dia 5 de junho, domingo. No mesmo dia, a emissora divulgou que o troféu Berimbau de Ouro seria disputado por 18 concorrentes, sendo que “Joga a Tristeza no Mar” não constava mais na lista de finalistas.
“Porta Estandarte”, “Boa Palavra” e “Chora Céu” foram as mais aplaudidas pelo público paulista que lotava o auditório do canal 9. Djalma Dias foi eleito o melhor intérprete. Em quinto lugar foi anunciada “Boa Palavra”, de Caetano Veloso, em quarto “Cidade Vazia”, de Baden Powell e Lula Freire, em terceiro “Chora Céu”, de Adilson Godoy e Luiz Roberto, em segundo “Inaê”, de Vera Brasil e Maricene Costa e a grande campeã do II Festival da Excelsior, “Porta Estandarte”, de Geraldo Vandré, inegavelmente quem mais se beneficiou com o concurso.
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Porta Estandarte
(Geraldo Vandré e Fernando Lona)
Intérpretes: Tuca e Airto Moreira
Olha que a vida tão linda
Se perde em tristezas assim
Desce o teu rancho cantando
Essa tua esperança sem fim
Deixa que a tua certeza se faça
Do povo a canção
Pra que teu povo cantando teu canto
Ele não seja em vão
Eu vou levando a minha vida enfim
Cantando e canto sim
E não cantava se não fosse assim
Levando prá quem me ouvir
Certezas e esperanças prá trocar
Por dores e tristezas que bem sei
Um dia ainda vão findar
Um dia que vem vindo
E que eu vivo prá cantar
Na avenida girando,
estandarte na mão
Prá anunciar
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